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  • SERVIÇOS COM APOIO EM PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL A REFUGIADOS OU MIGRANTES

    SERVIÇOS COM APOIO EM PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL A REFUGIADOS OU MIGRANTES

    Em Portugal, de acordo com a DGS não são permitidas quaisquer barreiras administrativas a migrantes ou refugiados de acesso aos cuidados do SNS. Não obstante, apresentamos algumas instituições que fornecem apoio sob a forma de consultas de psicologia e/ou psiquiatria em específico a migrantes e refugiados, ou que poderão ajudar a encaminhar para as mesmas:

    Serviço Jesuíta aos Refugiados – Consultas de psicologia e psiquiatria a refugiados

     jrs@jrsportugal.pt 

    Rua Rogério de Moura, Lote 59, Lisboa.

    Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) 

    PAR@JRSPORTUGAL.PT 

    ISPA – Consultas de psicologia a migrantes e refugiados

    clinica@ispa.pt

    Rua Jardim do Tabaco nº34, 1149-041 Lisboa.

    Centro das Taipas – Consultas de Psiquiatria para refugiados

    ud.centrotaipas@arslvt.min-saude.pt

    Parque de Saúde de Lisboa, Avenida do Brasil 53, Pavilhão 27 1º andar.

    Associação CRESCER – Projeto NO BORDER

    info@crescer.org 

    Bairro Qta Cabrinha 3, Lisboa.

    Refugees Welcome Portugal

    porto@refugees-welcome.pt 

    Rua de Justino Teixeira nº 861 (Campanhã), Porto.

    MEERU | Abrir Caminho – projecto MEERU Aproxima

     abrircaminho@meeru.org 

    Pr. Doutor Francisco Sá Carneiro, 271 Galerias 1ºDto, Porto.

    CEPAC – Centro Padre Alves Correia

    geral@cepac.pt

    Rua de Santo Amaro, nº 43, Lisboa

    Outros links úteis

    Manual de Apoio a Migrantes do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (inclui versão traduzida para ucraniano)

    https://www.chuc.min-saude.pt/paginas/informacoes/ao-cidadao-utente/apoio-a-migrantes.php

    Guias informativos sobre acesso e cuidados de saúde para pessoas migrantes do Projecto Informa em Acção da Casa do Brasil de Lisboa – disponíveis em 6 línguas (português, inglês, francês, nepali, bengali e mandarim)https://casadobrasildelisboa.pt/projeto-informa-em-acao-lanca-guias-informativos-na-area-da-saude-em-6-linguas/

  • SAÚDE MENTAL NA POPULAÇÃO MIGRANTE

    SAÚDE MENTAL NA POPULAÇÃO MIGRANTE

    A migração é um processo que ocorre desde os primórdios da humanidade, e que se define por uma mudança na localização do local de residência de um indivíduo por qualquer período de tempo. Segundo a UNESCO, um migrante é qualquer pessoa que vive temporária ou permanentemente num país onde não tenha nascido, e que adquiriu laços sociais significativos com este país. Várias razões podem influenciar e motivar a migração, tais como a procura de melhores condições económicas ou educacionais, ou fatores políticos que levem as pessoas a serem excluídas ou mesmo perseguidas na sua cultura original.

    Quando uma pessoa se vê forçada a abandonar o seu país de origem, não podendo regressar devido ao risco  de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertença a determinado grupo social ou opinião política, esse alguém pode ser considerado refugiado. De acordo com as Nações Unidas, em 2017 existiam 25,4 milhões de pessoas refugiadas, sendo uma das principais causas a fuga a guerras ou violência. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em 2019 houve uma subida de 45% nos pedidos de proteção internacional em Portugal face ao ano anterior.

    O processo de migração é constituído por diferentes fases, nas quais podemos encontrar diferentes fatores de vulnerabilidade que podem ter impacto na saúde mental.

    • Fase pré-migração: período anterior à migração que engloba a decisão de migrar e a sua preparação. Aqui podemos encontrar os fatores de vulnerabilidade para doença mental comuns a qualquer população (genéticos, pessoais, ambientais), mas também fatores dependentes da experiência individual, que pode envolver vivências traumáticas induzidas por guerra, perseguição ou violência.
    • Fase migratória: Deslocação propriamente dita de um local para outro, por vezes de forma não planeada e até associada a riscos para a própria vida do migrante. A incerteza, isolamento e perda súbita de suporte social e recursos são fatores que podem também estar presentes.
    • Fase pós-migratória: Ajustamento ao enquadramento social, político, económico e cultural de uma nova sociedade. Nesta fase, a pessoa pode deparar-se com várias adversidades sociais – discriminação, segregação, barreiras à comunicação, baixo suporte e isolamento social, ausência de alojamento – e económicas – desemprego, baixo rendimento – que são geradores de stress e de sentimentos de frustração e desilusão. O desenraizamento da cultura original e a perda dos seus rituais, ideias, locais e pessoas pode levar a sentimentos de perda, mesmo até da própria identidade, originando reações de luto.

    Doença Mental na população migrante

    A acumulação destes elementos ao longo do tempo traduz uma fonte contínua e cumulativa de stress, um dano migratório, que pode ser suficientemente forte para causar um desequilíbrio mental. De facto, os migrantes têm maior probabilidade do que a população em geral de ter uma doença mental – e este risco mantém-se elevado nos seus descendentes. Os refugiados são provavelmente o grupo de migrantes mais vulnerável, pela maior carga de stress vivenciada.

    Nos migrantes há um risco aumentado de psicose comparativamente com a população não migrante. Ao longo das últimas décadas, foram levantadas várias hipóteses para explicar este fenómeno e surgiram alguns mitos. Atualmente, considera-se que o mais provável seja existir uma conjugação de vários fatores onde a predisposição genética de cada um vai ser potenciada e modelada pelas circunstâncias das fases pré migratória, migratória e pós migratória.  Quanto mais sujeita a pessoa tiver sido a eventos adversos de vida e quanto mais desenraizada e isolada estiver, maior o risco. Assim, não surpreende que nos refugiados este risco seja ainda maior, dado tratar-se de uma deslocação forçada, não planeada, onde o tempo de espera por asilo pode ser significativo. E, como já referido, as consequências da migração e a predisposição genética vão continuar a ter influência na geração seguinte.

    Nos migrantes, e neste caso de forma ainda mais expressiva nos refugiados, existe ainda um risco aumentado de ansiedade, depressão e stress-pós-traumático. Na depressão, as adversidades pós migratórias são particularmente importantes. Já no caso do stress pós-traumático, são, de um modo geral, mais relevantes os fatores pré migratórios e migratórios, sendo esta patologia mais provável de ser encontrada em pessoas que se viram obrigadas a fugir de conflitos bélicos. 

    A prevalência destas doenças é maior nas fases mais tardias do processo de migração, e é amplamente dependente das várias adversidades encontradas na fase de pós-migração e na integração na nova cultura. Muitos destes factores de vulnerabilidade são potencialmente modificáveis, através de medidas políticas e sociais que visam a integração, diminuição do isolamento social e melhoria das condições socio-económicas. De facto, a prevalência tende a reduzir com o tempo – caso as circunstâncias de vida dos migrantes, de facto, melhorem.

    Acesso aos cuidados de Saúde:

    Apesar da maior prevalência, sabe-se que o acesso aos cuidados de saúde fica muito aquém das necessidades, quer por dificuldades destas populações em chegar até aos profissionais, quer por dificuldades nos profissionais em abordar estas populações. 

    Estas populações geralmente acedem aos cuidados de saúde em fases mais avançadas de doença. Acredita-se que tal acontece por vários motivos: barreiras culturais e sociais, dificuldade em identificar os problemas de saúde devido a crenças de saúde, religiosas ou políticas; crenças de que os serviços não estão disponíveis ou barreiras comunicacionais. 

    É, portanto, essencial que seja promovida a acessibilidade a cuidados de saúde culturalmente competentes e em tempo útil. 

    Alguns fatores que poderão contribuir são: 

    • Dar a conhecer a rede de cuidados de saúde e garantir acesso a cuidados de saúde primários e, se necessário, secundários.
    • Comunicação eficaz através de informação sobre os vários serviços providenciada em vários idiomas e existência de intérpretes e tradutores disponíveis para auxiliar os serviços. 
    • Literacia em saúde, através da existência de programas de integração que promovam iniciativas que fomentem conhecimentos sobre saúde e doença, funcionamento dos serviços de saúde, como usá-los e quando usá-los. É importante notar que para aceder aos serviços de saúde são necessários, não só conhecimentos em saúde, mas também competências sociais que estes grupos marginalizados carecem. 
    • Treino de competências culturais dos prestadores de serviços, dos clínicos e das organizações. Uma forma validada para este efeito é a implementação de mediadores culturais ou consultores que atuam como agentes de disseminação de informação nas comunidades migrantes, de forma a auxiliar tratamentos, explicar conceitos médicos e ajudar os profissionais de saúde na interpretação do sofrimento no contexto social e cultural dos doentes. 

    Para saber que serviços oferecem apoio em Psiquiatria e Saúde Mental a refugiados ou migrantes em Portugal clique aqui.

  • Sessão com o Grupo de Teatro Terapêutico – “Saúde Mental”

    Sessão com o Grupo de Teatro Terapêutico – “Saúde Mental”

    O Grupo de Teatro Terapêutico convidou o Núcleo de literacia do CHPL para dinamizar duas sessões de literacia: uma sobre saúde mental e outra sobre saúde sexual. Foi uma oportunidade única para conhecermos melhor este fantástico grupo de trabalho, que celebrou recentemente o seu 50º aniversário.

    Na primeira sessão, que decorreu no passado dia 28 de março, foram dinamizadas atividades de grupo que permitiram a reflexão sobre o conceito de saúde e doença mental.  Recorrendo ao brainstorming e à seleção de objetos do quotidiano, abordámos conceitos teóricos, mitos e estereótipos. Foi possível ainda partilhar as experiências subjetivas da saúde e do adoecer mental, a esperança associada e os seus significados mais dolorosos. 

    A 4 de abril foi a vez da abordagem da sexualidade e da saúde sexual. “Despidos” de tabus e de sapatos, reunidos em pequenos grupos, foi discutida a importância da obtenção do prazer na relação sexual e a influência da sociedade naquilo que é a nossa interpretação de conceitos como o sexo, o género, a identidade de género ou a orientação sexual. A criatividade e generosidade dos membros do Grupo deram luz a uma sessão de interpretações, de faz-de-conta e de aprendizagem para todos, de igual para igual, que culminou numa experiência única e de absoluta conexão entre pessoas.

    O núcleo de Literacia agradece a disponibilidade e o convite do Grupo de Teatro Terapêutico, fazendo votos de muito sucesso para os futuros projetos